Paraty - Página 2
Escrito por Eliana Rocha   
Qui, 18 de Novembro de 2010 12:51
PDF Imprimir E-mail
Índice do Artigo
Paraty
Página 2
Todas as Páginas

A descoberta do ouro na região das Minas Gerais faz com que a vida de Paraty sofra uma grande transformação. Já que a construção da Estrada Real assegura o escoamento do ouro, diamantes e outras mercadorias pelo porto, o que traz grande importância para a cidade.

Esse intenso fluxo de riquezas transforma Paraty em um grande mercado de negociação de ouro, circulando, assim, um grande volume de riqueza, que as autoridades da metrópole instalaram uma repartição oficial responsável por registrar e cobrar os impostos na cidade, essa medida é tomada pela coroa para tentar impedir o contrabando.

A Estrada Real (Ouro Preto/Paraty) era denominada de Caminho Velho e foi aberto pelos Bandeirantes paulistas, por volta de 1630, que adentraram por Minas Gerais em busca de ouro e pedras preciosas. Com a descoberta de ouro na Vila Rica (atual Ouro Preto) o transporte do ouro era feito em lombo de mulas até Paraty e seguia de navio até o Rio de Janeiro. A estrada era constituída de trilhas muito longas e de difícil trânsito, facilitando assim a ação dos bandidos e ladrões de cargas. Era uma viagem que levava, aproximadamente, 75 dias.

A Estrada Real tinha esse nome por ser uma estrada oficial, e foi construída por ordem da coroa portuguesa, para o transporte, obrigatório, de produtos, pessoas e animais, dessa forma a coroa possuía mais controle para a cobrança dos impostos. As penas para quem se desviasse da Estrada Real eram muito duras.

Por ser um caminho muito demorado e perigoso a Coroa determina a abertura de outra estrada, chamada de Caminho Novo, e a partir de 1710, fica proibido o transporte pela estrada de Paraty. Essa medida traz sérios problemas para a vila.

O cultivo da cana-de-açúcar e a produção de aguardente, a partir do século XVII, traz para Paraty um grande movimento e em 1820 a Vila contava com 250 engenhos e 150 destilarias. A produção era tão elevada que a expressão "Paraty" passou a ser um sinônimo de cachaça, a produção era artesanal e perdura até hoje.

Com a cultura do café a estrada foi retomada e passa a ser utilizada para o escoamento da produção cafeeira do Vale do Paraíba.

A proibição ao tráfico de escravos, decretada pelo regente Padre Diogo Feijó, faz com que o desembarque de africanos, uma atividade ilegal, passe a ser feito em Paraty, onde o antigo Caminho do Ouro é utilizado para levar os escravos ao seu destino.

A vila de Paraty é elevada a condição de cidade pelo Decreto Lei de 1844, do Imperador Pedro II do Brasil.

Com a construção da ferrovia Barra do Piraí (1864) o escoamento do café do Vale do Paraíba passa a ser feito por ela e com isso Paraty é condenada, de novo, ao ostracismo, gerando uma grande decadência.

Em 1954 a reabertura da estrada (Paraty – Cunha) atrai para cidade o interesse turístico, já que ela apresenta uma riqueza natural imensa e conta com seu, bem preservado, patrimônio histórico. Sendo Paraty redescoberta. Esse conjunto que engloba a natureza com a história a transforma em um pólo turístico sem precedentes. E a sua maior expansão se dá com a construção da rodovia Rio – Santos (BR 101) em 1973.

Esse grande interesse pela cidade e seu patrimônio faz com que seu conjunto histórico seja tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1958.

Segundo a UNESCO, Paraty possui o conjunto arquitetônico mais harmonioso do século XVIII do Brasil. São mais de 400 construções baixas ou assobradadas em torno de monumentos civis, religiosos e militares. Seu traçado urbano definitivo foi estabelecido a partir de 1726, segundo moldes da então moderna engenharia militar, com ruas mais largas e planta baixa em forma de leque ou meia-lua.

Deve ser mencionada, também, a influência da Maçonaria na engenharia e arquitetura, quer através dos símbolos maçônicos estampados à frente de muitos sobrados, nas esquinas, onde três cunhais (colunas) em cantaria (pedra lavrada) que formam um hipotético triângulo, símbolo maçônico por excelência.

Paraty, hoje, vive do turismo e oferece uma boa estrutura de hotéis e pousadas, além de eventos e passeios para todos os gostos. Conta, também, com excelentes restaurantes, que prezam as tradições culinárias, trazendo pratos saborosos para os paladares mais exigentes. Tudo isso que Paraty oferece é acompanhado com um ar de “túnel do tempo” embalado pela beleza de sua mata e seu mar.

Eliana Rocha



Última atualização em Ter, 01 de Fevereiro de 2011 12:13