Ouro Preto
Escrito por Eliana Rocha   
Qui, 18 de Novembro de 2010 02:41
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OURO PRETO

Segundo a lenda um homem que passava pela região próxima ao Itacolomi e sedento mete a gamela no Ribeirão Tripuí e encontra no fundo umas pedras negras que resolve guardar. Ao voltar a Taubaté, de onde partira, repassa as pedras e essas acabam chegando às mãos de Artur de Sá e Menezes, governador do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, que ao trincar a pedra com os dentes verifica ser a mesma de ouro, o metal tão procurado pelos colonizadores.


A notícia se espalhou rapidamente e expedições partem para a região próxima ao Pico do Itacolomi, sendo que as primeiras expedições não lograram êxito e retornaram.

Em 1698, o paulista Antônio Dias de Oliveira chega à região do Itacolomi e descobre um rico filão do tão procurado metal, se estabelece e manda buscar amigos e parentes em Taubaté. Daí em diante aumenta o número de bandeiras que buscam encontrar na região o metal.

O ouro é encontrado no leito e nas margens dos rios e, também, nas encostas dos morros.

Os bandeirantes erguem tosca capela em agradecimento, onde o Padre João de Faria Fialho, reza a primeira missa da região, a capela é uma homenagem a São João Batista.

Esses primeiros bandeirantes se dedicam, exclusivamente, a mineração, e não se preocupam com a subsistência, fato que levou a fome e o conseqüente abandono da terra.

Outros aventureiros chegam à região, e apesar da falta de viveres eles continuam chegando.

Os paulistas, que foram os primeiros a chegar à região, se revoltam com a chegada dos forasteiros, que eram: portugueses, baianos e pernambucanos.

O poder administrativo dos paulistas de efetuar a distribuição dos veios acirra a rivalidade que termina na Guerra dos Emboabas. Os forasteiros, liderados pelo português Manuel Nunes Viana, saem vitoriosos.

Terminado o conflito o crescimento da localidade acelera-se e vários arraiais mineradores são incrementados como: Padre Faria Antonio Dias, Paulistas, Bom Sucesso, Taquaral, Sant’ Ana, São João, Ouro Podre, Piedade, Ouro Preto e Caquende.

Novas ruas e novas construções vão surgindo, o comércio é implantado, e o local vai adquirindo feições urbanas.

O progresso e o crescimento do local são grandes e de arraial se transforma em vila no ano de 1711, por ordem do governador Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho

Dos arraiais o que mais prospera é o de Ouro Podre, e o maior explorador é o português Pascoal da Silva Guimarães, que enriquece com o ouro que encontra nas encostas do morro do arraial. O português indignado com o controle da coroa portuguesa para cobrança dos impostos, que era a quinta parte do ouro extraído, proclama uma rebelião conhecida com Sedição de Vila Rica. O governador Dom Pedro de Almeida, Conde Assumar, toma medidas duras para por fim ao movimento rebelde, tais como: enforcar Felipe dos Santos, partidário de Pascoal e incendiar o arraial de Ouro Podre, que ficou conhecido como Morro da Queimada.

O crescimento dos arraiais faz com que eles se unam dando origem à cidade de Ouro Preto.

Ouro Preto nos anos de 1730 a 1760 conhece sua época de gloria, já que a produção aurífera atinge o seu máximo, chegando a produzir 34.275 quilos.

Nessa fase as construções eram suntuosas e a cidade contava com festas grandiosas, reflexo da grande produção aurífera.

O cronista Simão Ferreira Machado relata em seus detalhes a festa Triunfo Eucarístico como sendo uma das mais esplendorosas.

Em 1763, ao final do governo de Gomes Freire, já se notava a decadência na extração do ouro e o colapso econômico da região.

A diminuição do ouro leva a Coroa Portuguesa a instituir novos impostos e, também lançar mão da derrama, cobrança do quinto atrasado.

Esse aumento dos impostos leva as camadas mais abastadas a ter uma consciência revolucionária de independência, ideologia essa inspirada nos movimentos mundiais tais como a independência Americana, a revolução francesa e no movimento dos iluministas.

Os comerciantes, intelectuais e militares se unem e passam a conspirar e tramar a conjuração mineira, aspirando à libertação da colônia do jugo de Portugal. Porém, em 1789, a denúncia de Joaquim José Silvério dos Reis ao Visconde de Barbacena põe fim ao movimento.

O movimento contou com a participação de Tomas Antonio Gonzaga, Claudio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto, Cônego Luís vieira da Silva, Francisco Paula Freire de Andrade, José Álvares Maciel e os padres José de Oliveira Rolim e Carlos Correia de Toledo, além do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Os lideres do movimento são punidos com o exílio, cabendo a Tiradentes a pena de morte. Tiradentes foi enforcado e esquartejado no Rio de Janeiro, sua cabeça fica exposta em Vila Rica, na atual Praça Tiradentes. Os padres cumpriram a pena em conventos de Lisboa e os demais membros do movimento foram enviados para a África.

No início do século XIX a cidade não é mais uma referência econômica, mas continua sendo referência política e cultural. Passa a ser capital da Província de Minas Gerais em 1823 recebendo o nome de Imperial Cidade de Ouro Preto.

Sua hegemonia cultural é reforçada com a criação de duas escolas de nível superior, a Escola de Farmácia, em 1839, e a Escola de Minas de Ouro Preto, em 1876, criadas por ato de Dom Pedro II.

Ouro Preto permanece como capital de Minas Gerais até 1897, quando é inaugurada a cidade de Belo Horizonte. Perdendo, assim, o seu esplendor Ouro Preto cai no ostracismo econômico e administrativo, onde famílias inteiras se transferem para a nova capital, deixando Ouro Preto com seus fantasmas de um passado glorioso. Esse isolamento ajuda a manter inalterado o seu conjunto arquitetônico.

Com a visita de artistas modernistas como: Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Mario de Andrade e o poeta francês Blaise Cendrars, em 1924, a cidade foi redescoberta. O país e o mundo conheceram a cidade em estilo barroca e o seu maior mestre, o Aleijadinho.

O perfil cultural da cidade se complementa com a construção da Universidade Federal de Ouro Preto, em 1969.

Os festivais de arte e as festas tradicionais são demonstrações vivas do perfil cultural da cidade, onde seus casarios e suas ruas tortuosas completam o aspecto de que o tempo parou.

A cidade de Ouro Preto é tombada como Monumento Nacional, em 1938, pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, SPHAN.

Especialistas da UNESCO, em 1980, reconhecem a cidade como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Pesquisa:

No local com guias de turismo.

Fotos:  Eliana Rocha

Última atualização em Qui, 20 de Janeiro de 2011 22:45
 

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